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Cientistas descobrem 91 vulcões sob a Antártida

Somando o número aos outros 47 vulcões que já eram conhecidos, a descoberta pode tornar o local a maior região vulcânica da Terra

Um grupo de cientistas descobriu que 91 vulcões estavam escondidos dois quilômetros abaixo da superfície do manto de gelo que cobre a Antártida. Segundo os pesquisadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, que anunciaram a descoberta nesta segunda-feira, somando o número de vulcões encontrados aos 47 que já conhecidos no local, a região pode se tornar a maior área vulcânica da Terra.

A descoberta ajudará os cientistas a entender como os vulcões podem influenciar as variações a longo prazo na camada de gelo. “Uma melhor compreensão da atividade vulcânica pode explicar seu impacto sobre o gelo na Antártida no passado, presente e futuro e em outros sistemas de rifte [zonas de separação de placas tectônicas] que dão origem a vulcões em todo o mundo”, afirmou o geólogo Robert Bingham, professor da Universidade de Edimburgo, em comunicado. Segundo os pesquisadores, ainda não se sabe quantos dos vulcões estão ativos, mas a atividade vulcânica pode aumentar se o gelo da Antártida derreter – o que é possível, avaliam os especialistas, considerando o cenário de aquecimento global atual, no qual a região é uma das mais afetadas do mundo.

Descoberta de vulcões

A investigação foi liderada por Max Van Wyk de Vries, um estudante do terceiro ano de graduação na Escola de Geociências da universidade britânica. Com a orientação de Bingham, ele descobriu os vulcões em uma área que se estendia por 3.500 quilômetros no oeste da Antártida, desde a plataforma de gelo Ross até o continente. O maior dos vulcões encontrados media 3.850 metros de altura, quase tão grande quanto o Eiger, uma montanha de 4.000 metros na Suíça.

“A Antártida permanece entre as áreas menos estudadas do mundo e, como jovem cientista, fiquei animado para aprender sobre algo novo e pouco compreendido”, disse Max. “Depois de examinar os dados existentes na Antártida Ocidental, comecei a descobrir indícios de vulcanismo. Naturalmente, pesquisei mais a fundo, o que levou a essa descoberta de quase 100 vulcões debaixo da camada de gelo.”

Os pesquisadores examinaram remotamente a parte inferior da camada de gelo, identificando picos ocultos de pedra basáltica semelhantes aos de outros vulcões da região cujas pontas chegavam a se sobressair da superfície de gelo. Em seguida, foi feita a análise do formato da terra abaixo do gelo por meio de radares capazes de penetrar o manto, e compararam os achados com registros de satélites e banco de dados, bem como informações geológicas de levantamentos aéreos.

Geólogos e glaciologistas dizem que a região tem muitas semelhanças com o sistema vulcânico da África Oriental, que, até então, era conhecido como a maior concentração de vulcões no mundo.

 

Via VEJA

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