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Governo de Sergipe promove inclusão para estudantes surdos na Rede Estadual de Ensino

Na rede estadual de ensino são 145 estudantes surdos atendidos nas nove diretorias regionais e na diretoria de educação de Aracaju. Na capital, 56 estudantes surdos estudam no ensino regular

O Governo do Estado, por meio das ações e iniciativas da Secretaria de Estado da Educação (Seed), busca democratizar e oferecer a todos o acesso à educação de qualidade. A Rede estadual de ensino conta com a atuação de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas unidades escolares que oferecem ensino integral e que possuem estudantes com necessidades especiais. Para atender às demandas dos estudantes e ainda qualificar os educadores, o Centro de Capacitação de Profissionais de Educação e Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) disponibiliza programas que ofertam cursos de Libras.

Fundado em 22 de novembro de 2006, o CAS presta o atendimento aos discentes e promove cursos em Libras. Trata-se de um programa do governo federal existente em todos os estados. Em Sergipe, o centro busca promover a adequada formação de profissionais da educação, para atendimento às pessoas com surdez, além do curso de Libras, formação de intérpretes, encontro com instrutores, monitoramento nas escolas, produção de recursos pedagógicos, entre outras atividades.

“Um dos objetivos do centro é difundir a língua de sinais. Dessa maneira, sempre ofertamos formações para os profissionais da rede estadual e para o público em geral. Na Escola Estadual 11 de Agosto, por exemplo, além dos docentes do ensino fundamental menor, a comunidade escolar tem conhecimento da língua”, afirma a coordenadora do CAS, Tálita Cavalcanti Pergentino dos Anjos.

Ela ressalta que em Sergipe a rede pública atende o que determina o decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005, que regulamenta a Lei n° 10.436, de 24 de abril de 2002, e o artigo 18 da lei n°10.098, de 19 de dezembro de 2000, que exige a inclusão da língua de sinais como disciplina curricular e a formação do professor de Libras e do instrutor.

“Conforme o que determina o artigo 2° do decreto n° 5.626, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Libras. Já deficiência auditiva é quem teve a perda bilateral, parcial ou total, de 41 decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.00Hz, 2.000Hz e 3.000Hz” esclarece.

Formações

O CAS disponibilizou em novembro deste ano 90 vagas para o curso básico em Libras. São 30 vagas para o módulo I, no qual as aulas acontecem na segunda, quarta e sexta-feira, das 13h às 17h, no período de 13 de novembro a 20 de dezembro. Para o módulo II foram 60 vagas, as aulas serão de 14 de novembro a 02 de janeiro de 2018. Este módulo foi dividido em duas turmas, com uma turma, acontecendo de terça e quinta-feira, das 8h às 12h, e na outra turma, nos mesmos dias, porém em outro turno, das 13h às 17h.

De 2006 a 2017 o CAS já ofertou o total de 2.718 vagas em cursos. As formações compreendem: cursos de Libras em contexto, com 22 participantes; curso de formação de instrutores, 9 inscritos; curso de aprofundamento de instrutores, 10 vagas; básico de Libras módulo I, como 51 turmas e 1.124 participantes; curso básico de Libras módulo II, com 35 turmas e 726 inscritos; curso básico de Libras módulo III, com 17 turmas e 375 inscritos; curso básico de Libras módulo IV, com sete turmas e 143 alunos. Ainda teve a formação continuada para tradutor e intérprete de Libras e português, com cinco turmas e 125 participantes; formação continuada para tradutor e intérprete de Libras – sinais educacionais com duas turmas e 84 inscritos; formação de tradutor intérprete de Libras, com 52 participantes; formação continuada para tradutor e intérprete de Libras roda de conversa com 19 inscritos; e a oficina de recursos pedagógicos para alunos surdos com 29 participantes.

Intérprete e professores bilíngues

A diretora do Departamento de Educação (DED), Gabriela Zelice, declara que uma das iniciativas de destaque é contar com as ações desenvolvidas pelo CAS, o que já demonstra uma atenção ao aluno surdo, dentro de uma perspectiva deste estudante participar regularmente das atividades pedagógicas. De acordo com ela, a Seed cada vez mais procura implementar iniciativas que possam promover a melhoria da qualidade da educação inclusiva.

“Destacamos dois pilares: o atendimento que é feito na rede com os professores bilíngues nos anos iniciais e com os intérpretes de Libras – nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio – e a formação continuada que é ofertada para todos os docentes da rede”, explica Gabriela Zelice ao elogiar a gestão do secretário Jorge Carvalho ao se atentar às necessidades e particularidades dos jovens surdos. “É válido e necessário este apoio para que o aluno conte com a evolução na aprendizagem. Existem registros da aprovação dos discentes surdos na Universidade Federal de Sergipe (UFS), isso comprova que a secretaria vem ao longo dos anos cumprindo o seu papel”, expõe.

Atendimento

Na rede estadual de ensino possui 145 estudantes surdos atendidos nas nove Diretorias Regionais de Educação (DRE’s) e na Diretoria de Educação de Aracaju (DEA). Na capital, são 56 estudantes surdos no ensino regular. A rede estadual possui 51 tradutores de Libras. O Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos Prof. Severino Uchôa tem quatro alunos matriculados, o Colégio Estadual John Kennedy conta com 16 estudantes, um no Colégio Estadual 17 de Março, um no Centro de Excelência José Carlos de Souza, um no Colégio Estadual João Costa e a Escola Estadual 11 de Agosto é a unidade escolar com maior número, são 34 discentes surdos.

Para o intérprete da Escola Estadual 11 de Agosto, Lucas da Paz, ter um tradutor de Libras em sala de aula reflete de maneira positiva no desenvolvimento intelectual do estudante surdo. “A língua materna dos surdos é a de sinais e quando há um intérprete no espaço escolar é de extrema importância também para favorecer a sociabilização e inclusão, pois facilitará a comunicação com os colegas”, afirma.

O intérprete da Escola Estadual 11 de Agosto, Ailton Batista dos Santos, também confirma a importância de promover a inclusão já no espaço escolar. “Na unidade escolar em que atuo os professores e tradutores contam com todo o apoio da Seed para atender às necessidades e especificidades dos alunos com surdez”, declara.

O instrutor de Libras Antônio Rúbio Andrade de Carvalho é surdo e atua no CAS e ministra o curso de Libras na Escola Estadual 11 de Agosto, também trabalha na sala de recursos da unidade escolar. “Os cursos de Libras que ministro contam com a procura de professores, alunos e familiares. Esta ação da Seed em ofertar as formações é muito importante, pois colabora de maneira significativa no desenvolvimento dos alunos, assim favorecendo o processo de comunicação. Além disso, possibilita a inclusão seja do profissional e também do estudante”, salienta.

Ele relembra que quando jovem encontrou muitas dificuldades, porque as unidades escolares nas quais estudou não tinham Libras, apenas a oralização, ou seja, aprendia a palavra. “Quando o surdo não tem acesso à Língua de Sinais é tudo mais complicado porque tem que aprender uma segunda língua – o português – que não domina. A partir do momento que o surdo e a sociedade têm contato com a Libras a comunicação flui de uma maneira bem mais fácil. A presença de um intérprete e/ou professor bilíngue em sala de aula favorece o processo de ensino e aprendizagem destes estudantes”, disse ao destacar que os professores precisam aprender Libras e que a ajuda da família é essencial.

Escola Estadual 11 de Agosto

A coordenadora da Escola Estadual 11 de Agosto, Ana Karyne Melo Matos, explica que os discentes, além do acompanhamento feito na Sala de Recursos, são assistidos e participam das aulas na do Laboratório de Línguas: Português – Libras. “Somente os alunos surdos que contam com a assistência neste espaço. Trabalhamos as temáticas relacionadas ao português e libras”, explica ao informar que a unidade escolar é uma referência no ensino dos surdos em Sergipe. “A cada ano é grande a procura dos pais matricular os filhos, isso ocorre justamente porque presta este apoio”, diz.

Tanto as atividades da Sala de Recursos, quanto do Laboratório de Línguas: Português – Libras acontecem no período do contraturno que o aluno estuda.  Ainda conforme salienta a coordenadora, na Escola Estadual 11 de Agosto todos os pedagogos são bilíngues e em todas as salas, no turno vespertino, há intérpretes. “A comunidade escolar tem o conhecimento da Libras o que facilita a comunicação com os alunos. Contamos com diversas atividades como o Coral de Libras, Grupo de Dança com Surdos e essas iniciativas permitem a inclusão”, afirma.

O jovem Áleff Kawaan Batista da Silva, do 5° ano, participa das práticas realizadas no Laboratório de Línguas: Português – Libras. Para ele, é muito importante este reforço. “Gosto muito da minha escola e das atividades do laboratório, aqui aprendo matemática, português e as outras disciplinas. Os meus professores são atenciosos”, declara ao relembrar que começou a estudar na Escola Estadual 11 de Agosto no ano passado.

Para a professora, Luciana Santos Daltro Freitas, o acompanhamento dos discentes no laboratório colabora para ampliar o vocabulário das duas línguas. “Este espaço é fundamental para o desenvolvimento intelectual dos estudantes. Como a língua utilizada pelas pessoas surdas é de modalidade espaço-visual aqui exploramos estes recursos. Dessa maneira, aprimora as potencialidades do aluno e ele amplia os conhecimentos”, esclarece ao informar que no local faz-se uso de muitos cartazes, imagens e jogos educativos para colaborar ainda mais no que tange ao propósito pedagógico.

 

Via ASN

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