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NA OPOSIÇÃO, VALADARES É APENAS UM FORTE COADJUVANTE

por Edson Júnior

Com todo prestígio que tem conseguido como líder do governo Michel Temer, André Moura conseguiu também se tornar líder da oposição em Sergipe, isso é fato. Há muito dá passos para liderar o bloco, inclusive colocando o parceiro, Eduardo Amorim, um degrau abaixo na escala hierárquica. Não diz e não precisa. Eduardo não contesta. É André quem dita o que, onde, como e quando serão anunciadas as decisões do bloco nas eleições de 2018.

Quando Valadares saiu da situação, em 2016, rompido com o governador Jackson Barreto, e foi incorporado à oposição, André Moura não tinha o tamanho e a fluência política de hoje nos corredores de Brasília. Sem mimimi, André é o líder sergipano que dá as cartas por lá. E sabe usá-las para se constituir como líder. Mas um alerta: tanto prestígio não tem encantado o eleitor, já “puto” com as barbaridades de Temer.

Valadares também apoiou a chegada dessa “murrinha” na presidência, naquela armação que tirou Dilma. Votou a favor do impeachment. Esperto e com os olhos verdes atentos, saltou do barco assim que percebeu o tamanho da bronca que ajudara a colocar na presidência do país. A história também o enxergará nisso.

Mas Valadares não está morto politicamente e sabe se movimentar. Tem posição confortável em todas as pesquisas divulgadas ano passado. Entre ele e André, os números favorecem o senador. Então, por que o candidato da oposição não será ele? Simples! Valadares não conseguiu se mostrar confiável na oposição – nunca foi visto como tal – e André não terá mais uma primavera tão florida em sua carreira política. Seu tempo é agora, tem pressa em montar no cavalo selado, que acredita, e tenta fazer crer, que é para ele.

André é o líder do bloco, almeja ser candidato ao governo, mas tem um vírus letal em seu organismo: Michel Temer; sempre importante lembrar, o presidente mais mal avaliado da história do Brasil, com 6% de aceitação, segundo o IBOPE, que em nova pesquisa, aponta que 90% dos brasileiros não votariam em candidato que defende Temer. André é um dos maiores expoentes desse grupo, logo, não resistiria a uma disputa pelo governo; talvez ao senado, brigando com outros pesos pesados. Sabe que tem uma reeleição praticamente assegurada para a Câmara Federal. Mais vale um pássaro na mão que nenhum. Isso deve lhe torrar neurônios aos bilhões.

Como líder da oposição, André deveria refazer seus planos e aceitar Valadares encabeçando a chapa da oposição, por ser o nome mais bem posicionado para disputar o governo. Valadares não pode ser visto como um aliado estranho, que apenas se aliou à oposição em 2016 na tentativa de derrotar o candidato do governador Jackson Barreto, Edvaldo Nogueira.

O que se percebe na oposição é um debate de surdos entre André e Valadares sobre quando a oposição deve anunciar os nomes que disputarão governo e senado. Valadares quer definição em março ou abril. Já André quer no final deste mês de janeiro. Além disso, André quer a posição na cabeça da chapa, transformando Valadares apenas em forte coadjuvante.

Em entrevista ao Cinform desta semana, o senador Eduardo Amorim não titubeou sobre o período de definição de candidaturas: “Hoje eu vejo que precisamos definir o mais cedo possível para nos organizar, fazer a composição também dos candidatos a deputados estaduais e federais e fazer alianças com outros partidos”, disse o senador, em apoio ao que prega André Moura.

Dessa forma, ou Valadares aceita o comando do líder André Moura e senta para homologar nomes no final deste mês, ou a porta de saída do bloco é o provável convite que receberá, apesar de ser o nome mais forte do bloco oposicionista.

 

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