background img
daytona

Fittipaldi leva o tri das 24h de Daytona, e Nasr completa dobradinha brasileira

Com participação de Fernando Alonso, tradicional corrida de longa duração bate o recorde de voltas

brasileiro Christian Fittipaldi faturou neste domingo sua terceira vitória nas 24 Horas de Daytona, umas das provas mais tradicionais do automobilismo mundial. Competindo em parceira com os portugueses Felipe Albuquerque e João Barbosa, o piloto de 47 anos levou o protótipo Cadillac DPi da Action Express ao primeiro lugar após 808 voltas no circuito misto que percorre parte do lendário oval da costa leste da Flórida, nos Estados Unidos. Ex-piloto de categorias como Fórmula 1, Indy, Nascar e Stock Car, Christian já havia vencido as edições de 2004 e 2014 da clássica prova, que é disputada dede 1966.

- Estou exausto, há trinta e poucas horas sem dormir, mas foi uma prova fenomenal. O carro estava bem preparado a corrida inteira, mas foi uma prova intensa, bem dura, porque a competição neste ano estava altíssima. Nas últimas seis horas, começamos a ter um pouquinho de problema de superaquecimento no motor, então foi necessário dosar o ritmo. A vantagem de três voltas funcionou a nosso favor, tivermos como andar num ritmo mais lento e ganhamos a corrida chegando um minuto à frente do segundo colocado. Estou extremamente feliz com minha terceira vitória nas 24 Horas! – disse Christian Fittipaldi.

Christian Fittipaldi nas 24 Horas de Daytona (Foto: José Mário Dias)

Christian Fittipaldi nas 24 Horas de Daytona (Foto: José Mário Dias)

A festa brasileira em Daytona ficou ainda mais completa com o segundo lugar da equipe de Felipe Nasr, cujo carro que recebeu a bandeirada na mesma volta do vencedor. O ex-F1 correu em outro protótipo Cadillac DPi, da Whelen Engineering Racing, ao lado dos companheiros Eric Curran, Stuart Middleton e Mike Conway. Por pouco, o pódio não teve brasileiros nos três degraus: o quarteto formado por Bruno Senna, Will Owen, Paul Di Resta e Hugo de Sadeleer teve problemas na embreagem do Ligier LMP2 da United Sports no fim da manhã de domingo e perdeu algumas voltas reparando a peça. Mas provou que estava com um bom ritmo e escalou posições, finalizando em quarto lugar, a quatro voltas dos vencedores.

Dono de três vitórias em outra prova clássica, as 500 Milhas de Indianápolis, Helio Castroneves chegou a liderar a corrida de Daytona por algumas horas durante a madrugada, numa fase em que a equipe Penske – que também contava com nomes como Juan Pablo Montoya e Simon Pagenaud, campeões da Indy – colocou seus carros nas duas primeiras posições. No entanto, as chances de vitória para o protótipo Acura DPi se esvaíram quando Helinho seu se envolveu em um acidente com Felipe Nasr, no momento em que os dois brasileiros estavam ao volante. Competindo ao lado de Graham Rahal e Ricky Taylor, Castroneves terminou a corrida em nono lugar, a 15 voltas do vencedor.

Helio Castroneves chegou a liderar as 24 Horas de Daytona, mas acabou em nono (Foto: Brian Cleary/Getty Images)

Helio Castroneves chegou a liderar as 24 Horas de Daytona, mas acabou em nono (Foto: Brian Cleary/Getty Images)

Alonso lidera e se diverte

Uma das grandes atrações da corrida foi a participação de Fernando Alonso. Companheiro de equipe do trio de Bruno Senna, o bicampeão mundial de Fórmula 1 competiu em parceria com os jovens Lando Norris e Phill Hanson, mas sabia desde os treinos que seu protótipo não figurava entre os favoritos. Mesmo assim, chegou a liderar na segunda hora, durante as janelas de pit stops. Pouco depois, seu carro reapareceu entre os primeiros colocados quando Norris – que será companheiro do brasileiro Sérgio Sette Câmara na temporada 2018 da Fórmula 2 – mostrou muita habilidade na pista molhada. Uma série de problemas mecânicos durante a madrugada e também na parte final da prova custou muitas voltas para reparos nos boxes. Apesar de finalizar na 38ª posição na geral, 13º entre os protótipos, Alonso garantiu que se divertiu com a nova experiência.

- Obviamente, não foi o resultado que esperávamos. Tivemos muitos problemas, o que infelizmente nos impediu de alcançar uma posição final melhor. Mas estou feliz, me diverti muito no evento e na corrida. Muito tráfego o tempo todo, mas é divertido estar em um protótipo ultrapassando outros carros. Nos sentimos muito competitivos na corrida, estávamos muito rápidos, diferentemente do treino classificatório. Lando fez um grande trabalho, e o time também, reparando o carro após todos os danos. Realmente aproveitei muito – afirmou o espanhol, que pilotará a McLaren-Renault na temporada 2018 da F1.

Fernando Alonso nas 24 Horas de Daytona (Foto: Brian Cleary/Getty Images)

Fernando Alonso nas 24 Horas de Daytona (Foto: Brian Cleary/Getty Images)

Ao contrário dos últimos anos, a prova foi marcada por poucos acidentes ao longo das 24 horas, o que contribuiu para a quebra do recorde de voltas nas 24h neste ano. As 808 completadas pelo protótipo de Fittipaldi superaram, com folga, a antiga marca de 775, que perdurava desde 1982. No entanto, diversos carros sofreram com furos de pneus, grande parte no traseiro direito, o mais exigido no trecho inclinado de aceleração plena do circuito oval. Outra variável que mexeu com os estrategistas foi a chuva. Além de uma pancada rápida no começo da noite de sábado, que provocou pit stops imprevistos, também caiu uma garoa na hora final, o que causou alguma tensão entre os que disputavam a vitória.

Outros brasileiros têm problemas

Vencedor das 24h em 2016, Pipo Derani foi o único brasileiro da classe dos protótipos que abandonou a prova, com uma quebra de motor. Ele dividiu o cockpit do Nissan DPi da Tequila Patrón ESM com Nicolas Lapierre e Johannes van Overbeek.

Atual campeão da Stock Car e vencedor das 24 Horas de Le Mans na classe GTE-Pro, Daniel Serra largou na pole da classe GTD. Mas a Ferrari 488 GT3 que ele dividia com Mathias Lauda, Paul Dalla Lana e Pedro Lamy se envolveu em um acidente nas mãos de Dalla Lana e não terminou a corrida.

Largada das 24 Horas de Daytona (Foto: Brian Cleary/Getty Images)

Largada das 24 Horas de Daytona (Foto: Brian Cleary/Getty Images)

Outro brasileiro inscrito na classe GTD, Bruno Junqueira, também sofreu com problemas mecânicos, mas terminou a corrida. Em parceria com Kyle Marcelli e Dominik Baumann, o mineiro levou o Lexus RCF GT3 ao 15º em sua divisão, 36º no geral. A vitória nesta classe ficou com o Lamborghini Huracan GT3 pilotado por Mirko Bortolotti, Rolf Ineichen, Rik Breukers e Christian Engelhart.

Único representante do Brasil na GTLM, Augusto Farfus Jr. fechou a prova em 18º, sendo o sétimo de sua classe. Ele correu na BMW M8 GTLM ao lado de Jesse Krohn, John Edwards e Nicky Catsburg. A vitória ficou com o Ford GT da equipe Chip Ganassi, pilotado por Ryan Briscoe, Richard Westbrook e Scott Dixon.

Christian entre os maiores vencedores

Com a vitória neste fim de semana, o brasileiro Christian Fittipaldi e o português João Barbosa passam a integrar o seleto grupo de pilotos com pelo menos três vitórias nas 24 horas de Daytona. Veja a lista:

  • 5 vitórias: Hurley Haywood e Scott Pruett
  • 4 vitórias: Peter Gregg, Rolf Stommelen e Bob Wollek
  • 3 vitórias: Derek Bell, Butch Leitzinger, Juan Pablo Montoya, Brian Redman, Memo Rojas, Andy Wallace, Christian Fittipaldi e João Barbosa

Christian Fittipaldi nas 24 Horas de Daytona (Foto: José Mário Dias)

Christian Fittipaldi nas 24 Horas de Daytona (Foto: José Mário Dias)

Via GLOBO ESPORTE

Tags relacionadas
Veja também
Comentários

Comentários encerrados!