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Adaptação de Coutinho, linha de 5…4 pontos sobre a Seleção que venceu a Rússia

Amistoso contra a Rússia serviu para fortalecer alguns pontos de observação na Seleção que se prepara para seu maior desafio, na terça.

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24 finalizações, 13 no gol. 3 delas, dentro. Como Tite citou na coletiva após o jogo, o resultado construído contra a Rússia de fato foi positivo e ajudou a clarear a mente do técnico sobre alguns pontos de observação para a equipe. Vamos tentar dissecar um pouco deles:

Contra a linha de 5, persistência e mais infiltrações

Uma das ideias de Tite ao jogar contra a Rússia era testar o sistema ofensivo do Brasil contra a linha de 5. Famosa pelo Chelsea que ganhou a Premier League na temporada 2016/17, o sistema virou febre, como você leu aqui no Painel Tático, e foi o grande responsável por “travar” o Brasil contra a Inglaterra, em novembro (leia a análise do jogo clicando aqui).

O 5-3-2 da Rússia tinha um objetivo claro: formar um bloco para proteger a área e evitar que jogadores chegarem livre, em condições de finalizar. Não usado por nenhuma equipe sul-americana, o Brasil teve dificuldades em fazer esses movimentos de “infiltração” contra a Inglaterra e também no 1º tempo contra a Rússia. A imagem abaixo mostra um exemplo: jogada pela esquerda com Coutinho e apenas Paulinho e Gabriel Jesus correm em direção ao gol.

Rússia se defendendo no 5-3-2, com uma linha de 5 na defesa (Foto: Leonardo Miranda)

Rússia se defendendo no 5-3-2, com uma linha de 5 na defesa (Foto: Leonardo Miranda)

É lógico: fica mais fácil chegar e bater pro gol com 2 brasileiros contra 5 ou contra mais? A imagem abaixo mostra a linha de 5 fechando o espaço russo com a jogada na linha de fundo. O que vemos é, novamente, o Brasil povoando pouco a região de finalização. Douglas Costa parte para cima, mas de que adianta o lance individual quando ala e zagueiro cercam, além de um volante fechar em cobertura imediata? Os brasileiros circulados em vermelho ganham contato individual, além da cobertura do camisa 11.

A linha de 5 da Rússia dentro da área: sem espaços (Foto: Leonardo Miranda)

A linha de 5 da Rússia dentro da área: sem espaços (Foto: Leonardo Miranda)

As duas situações mostram como o Brasil ainda sofreu um pouco para criar contra esse sistema, que estará muito presente na Copa. Quando criou, faltou capricho. O natural é, de fato, sofrer, e o resultado no 2º tempo mostra que, se a bola não rola pelo chão, pelo alto é uma boa solução.

Uma ideia de Guardiola para explorar Dani Alves e Marcelo

Ninguém duvida que Daniel Alves e Marcelo têm um grande potencial ofensivo. O que Tite pensa para explorar esse talento e encaixá-lo no coletivo vem da parte azul de Manchester e tem dono: Pep Guardiola. A movimentação, chamada por aqui de “laterais por dentro”, é simples: quando o time está na fase de construção das jogadas (imagine a jogada depois do círculo central e antes de entrar numa região de chutes), os laterais “invertem” de função com os pontas e vem por dentro, tabelando e jogando com os meias e volantes, como Daniel Alves faz na imagem abaixo.

Daniel Alves "por dentro" na Seleção (Foto: Leonardo Miranda)

Daniel Alves “por dentro” na Seleção (Foto: Leonardo Miranda)

O propósito dessa movimentação é obedecer ao “jogo de posição” – conceito abstrato, que em outra oportunidade podemos debater mais. Mas mostra que Tite está em busca de soluções, alternativas e artifícios para furar as retrancas que Sérvia, Costa Rica e Suíça fornecerão em junho. Com os laterais por dentro, os meias ficam livres para infiltrar na área e o potencial individual de Neymar e Willian no 1×1 é explorado.

Marcelo invertendo de função com Douglas Costa (Foto: Leonardo Miranda)

Marcelo invertendo de função com Douglas Costa (Foto: Leonardo Miranda)

Coutinho: uma boa ideia que precisa de adaptação

Talvez o principal holofote desse jogo foi em Philippe Coutinho. Em novo clube e função, Tite o trouxe para atuar na função de Renato Augusto, sendo o principal armador das jogadas pela esquerda do 4-1-4-1 brasileiro. Mas o que o 1º tempo mostrou é que Couto ainda precisa de adaptação para que essa posição consiga fluir mais.

Um dos objetivos de ter Coutinho e não Renato Augusto é permitir mais infiltrações e acelerar o ataque brasileiro. Esse lance mostra como isso pode acontecer: Gabriel Jesus recua para triangular e tocar a bola pelo setor. Coutinho “troca” com ele e corre para o espaço deixado, algo que pode quebrar a marcação e abrir um espaço valioso dentro da área.

Coutinho infiltrando no espaço deixado por Jesus (Foto: Leonardo Miranda)

Coutinho infiltrando no espaço deixado por Jesus (Foto: Leonardo Miranda)

Só que isso pouco aconteceu. Coutinho tentou uma, duas e não recebeu bolas na frente, além de fisicamente sentir o peso de fazer o “ida e volta” toda hora. No geral, ele ficou restrito ao setor de origem, preferindo o passe e o giro ao passe e corrida. Na imagem abaixo um exemplo: Coutinho começa a jogada lá na esquerda, e quando a bola inverte de lado – vai para Douglas Costa – ele para, não procurando a área para finalizar junto a Jesus e Paulinho.

Coutinho no ataque, fora da área (Foto: Leonardo Miranda)

Coutinho no ataque, fora da área (Foto: Leonardo Miranda)

Isso não se repetiu no 2º tempo, onde Coutinho voltou procurando tocar e passar o tempo todo. Com isso, gerou lances como o pênalti em Paulinho e movimentos mais inteligentes ao ocupar a área. É o que Tite quer – e o que o Brasil precisa.

Bola parada resolve jogo – e até Copas!

O gol que tranquilizou tudo e abriu o 3×0 veio de escanteio, em jogada combinada. Quando a coisa não rola pelo chão, pelo alto é uma boa solução – e Tite sabe disso. Gols de bolas paradas como os dois primeiros são fundamentais para construir resultados quando o desempenho não é satisfatório. Por isso a ênfase nesse tipo de trabalho nos treinamentos – algo que deve se repetir ate o fim da Copa.

tite coletiva seleção moscou (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

tite coletiva seleção moscou (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

Os 4 pontos serão provados mais uma vez na terça. E dessa vez, a linha de 5 e os laterais por dentro serão mostrados contra a Alemanha. O mais traumático adversário da história da Seleção poderá ser mais uma prova de confiança para um Brasil que se prepara e estuda o que pode encontrar na Rússia.

Footer blog Painel Tático - Leonardo Miranda (Foto: Leonardo Miranda)

Footer blog Painel Tático – Leonardo Miranda (Foto: Leonardo Miranda)

Via GLOBO ESPORTE

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