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Repórter do GLOBO é agredido por segurança de Lula

Agressão ocorreu quando jornalista gravava homens batendo em manifestantes anti-PT

O repórter do GLOBO Sérgio Roxo foi agredido por um segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início da tarde desta segunda-feira, enquanto fazia a cobertura de uma manifestação contrária ao petista em Francisco Beltrão, no interior do Paraná. A agressão ocorreu na área externa do aeroporto da cidade, logo depois de Lula embarcar rumo a Foz do do Iguaçu, onde está programado um novo ato.

Um grupo anti-petista estava no aeroporto para se manifestar contra o ex-presidente. O GLOBO presenciou os seguranças agredindo os rapazes com chutes perto de uma cerca.

A agressão aconteceu quando o repórter tentava filmar seguranças do ex-presidente chutando dois manifestantes anti-PT. Um deles havia sido parado quando circulava de moto pelo local. O segurança ordenou que ele mostrasse o documento e o seu celular. O objetivo era saber se o motociclista participava da organização de alguma manifestação.

Um segurança que se identificou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança de ex-presidentes da República, ordenou que o repórter parasse de filmar. O jornalista encerrou a filmagem. Nesse momento, um outro segurança chegou e ordenou que ele apagasse o vídeo de seu aparelho celular. O repórter se recusou e levou um soco na orelha esquerda.

Em seguida, chegaram ao local a Polícia Militar e um grupo de cerca de 20 manifestantes, a maioria deles participou do fechamento da rodovia Rodovia Deputado Sebastião Rodrigues Filho pela manhã para evitar a passagem da caravana de Lula.

Os manifestantes provocaram os seguranças de Lula, mas foram contidos pelos policiais. O segurança que agrediu o repórter já havia deixado o local. Os demais seguranças foram embora mais tarde escoltados pela polícia.

O ex-deputado Paulo Frasteschi, um dos coordenadores da caravana, estava na frente do aeroporto quando ocorreu a agressão ao repórter do GLOBO.

– Vocês (jornalistas) só querem nos atacar – disse, logo depois de o segurança dar o soco no jornalista.

Frateschi também se queixou que a imprensa não noticiou a pedrada que ele levou na orelha no sábado em Chapecó. O ex-deputado está com curativo no local. Ele foi atingido quando estava próximo a Lula.

A assessoria do PT informou que lamenta o ocorrido e vai apurar o episódio. O partido acrescentou ainda que “é contra qualquer violência e toda a segurança da caravana é instruída a respeitar o trabalho da imprensa e a tratar a todos de maneira cortês.”

Ricardo Pedreira, diretor-executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), afirmou que a agressão sofrida pelo repórter é condenável.

— A agressão ao repórter é lamentável e condenável. O jornalista estava trabalhando, cumprindo sua missão de buscar informações e levá-las aos cidadãos. A violência contra repórteres é resultado de postura autoritária, que não aceita o livre exercício da atividade jornalística, que procura impedir a divulgação da realidade dos fatos — disse.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) repudiou a agressão.Em nota, a ABERT diz que é “extremamente preocupante os atos de violência que tentaram impedir a livre e necessária atuação da imprensa”, e que “nada justifica ações como esta, que demonstram intolerância e desconhecimento do real papel dos veículos de comunicação de informar a sociedade sobre assuntos de interesse público”

Nesta segunda-feira, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negaram o último recurso da defesa do ex-presidente na segunda instância. Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Com o resultado de 3 a 0, por unanimidade, o ex-presidente se tornou ficha-suja e deve ser considerado inelegível para as eleições de 2018.

Só após a publicação do acórdão da decisão de hoje do TRF-4, o juiz Sergio Moro poderá determinar a prisão de Lula para cumprir a pena determinada neste processo. O prazo máximo para a publicação do novo acórdão é 5 de abril, um dia após a data em que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai terminar de julgar o habeas corpus preventivo de Lula. Na quinta-feira passada, o Supremo decidiu que o petista não poderia ser preso até 4 de abril.

Via O GLOBO

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