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MUNDO: Confronto com Exército de Israel na fronteira de Gaza deixa palestinos mortos e centenas de feridos

Série de protestos convocados pelo Hamas deixou 12 palestinos mortos nesta sexta-feira (30). Atos lembram êxodo palestino após criação de estado de Israel.

m confronto na Faixa de Gaza deixou 12 palestinos mortos e cerca de 1.100 feridos nesta sexta-feira (30), dizem médicos palestinos. Segundo o Exército israelense, o confronto começou quando palestinos se aproximaram da fronteira de Israel. O Ministério de Saúde de Gaza, por sua vez, diz que soldados israelenses atiraram em dois agricultores palestinos da região que transitaram em suas terras antes das manifestações começarem.

O confronto é decorrência dos atos que marcam o primeiro dia de protestos da chamada “Marcha do Retorno”, manifestação contrária à ocupação israelense. A ação foi convocada pelo Hamas, grupo que comanda a Faixa de Gaza, em cinco pontos do território junto à fronteira com Israel.

Segundo Israel, 30 mil palestinos compareceram aos cinco acampamentos da marcha.

No protesto, previsto para continuar até o dia 15 de maio, tendas de campanha foram montadas a uma distância de cerca de 700 metros da fronteira, mas os manifestantes palestinos têm realizado demonstrações a cerca de 200 metros do território israelense, diz a agência Efe.

Ainda segundo a agência, o confronto começou quando palestinos se aproximaram da cerca divisória em cinco pontos da Faixa de Gaza — no que o Exército israelense respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e outros meios de dispersão.

Depois da tentativa da dispersão, vários jovens palestinos atiraram pedras contra soldados israelenses, diz a Efe.

Israel responsabiliza Hamas

Em comunicado, as Forças Armadas de Israel disseram que “manifestantes estão atirando pneus incendiados, coquetéis molotov e pedras contra a cerca de segurança”, enquanto as tropas do Exército “respondem com meios de dispersão e atirando contra os principais instigadores”.

A nota acrescenta que “a organização terrorista Hamas põe em risco as vidas das pessoas de Gaza e as utiliza para camuflar suas atividades terroristas”.

Ashraf al Qedra, porta-voz do Ministério da Saúde do Hamas em Gaza, disse, por sua vez, que soldados israelenses atiraram em dois camponeses que não estavam presentes no confronto.

Eles estavam transitando em suas terras perto da fronteira no sudeste da cidade de Khan Yunis, sendo que um deles, de 27 anos, morreu e o outro ficou ferido.

Dia da Terra

A data escolhida pelo Hamas para o início da Marcha do Retorno é simbólica: na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, 30 de março é o Dia da Terra. Ela marca a morte de seis palestinos pelo Exército de Israel em 1976, durante a expropriação de terras no norte do país.

De acordo com o Hamas, a principal reivindicação da Marcha do Retorno é o direito dos palestinos de voltarem para os locais de onde foram removidos após 1948, pela criação do Estado de Israel. Em uma diretriz publicada em 2017, o grupo aceita a solução de dois Estados para o conflito, sob as fronteiras de 1967, mas se recusa a abdicar da luta armada.

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