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‘Megatubarão': o que é verdade sobre tubarões pré-históricos

Megalodonte existiu, mas dificilmente teria sobrevivido às mudanças climáticas. Filme estreou na quinta-feira (9).

O filme “Megatubarão” estreou na quinta-feira (9) no Brasil e conta a história de um megalodonte de dois milhões de anos, uma criatura gigantesca que habitava no fundo do Oceano Pacífico. Parece difícil de acreditar, mas os megalodontes existiram de fato.

Dentes fossilizados encontrados em todo o mundo sugerem que as criaturas viveram entre 14 milhões e 2,6 milhões de anos atrás, mas não está claro por que eles foram extintos.

No filme, a criatura é descoberta por cientistas após um ataque contra a estação de um programa internacional de observação submarina. A criatura de “Megatubarão” foi criada por computador, com base em uma grande pesquisa sobre a aparência do animal e com doses da criatividade do cinema.

Um monstro

O tubarão extinto era uma criatura gigantesca, alguns cientistas o consideram “um monstro”. Os cientistas acham que o megalodonte pode ter crescido até 15 metros e poderia pesar até 50 toneladas (50.000 kg).

Porém, a criatura de “Megatubarão” é descrita como um animal de 20 a 25 metros de comprimento, bem acima do tamanho real do megalodonte.

Carcharodon megalodon, o nome científico da criatura, representa o maior peixe carnívoro que já viveu, segundo informações do Museu de História Natural de São Francisco, nos EUA. As informações sobre seu tamanho são extraídas de comparações com tubarões vivos e a relação entre o tamanho do dente e o comprimento total do corpo. Com base nessas informações, é possível estimar as dimensões gerais desse imenso animal.

Um tubarão branco tem entre 5 e 6 metros de comprimento, por exemplo.

Crível?

Meghan Balk, do Museu Nacional de História Natural em Washington, disse em entrevista à revista “Science News” que os criadores do filme não fizeram um trabalho ruim na hora de pensar a criatura.

Os megalodontes têm, corretamente, seis guelras – entre cinco e sete é preciso para tubarões em geral, diz ela. E a forma da barbatana dorsal é, apropriadamente, modelada segundo o grande tubarão branco, o mais próximo dos antigos tubarões. Além disso, um megalodonte do sexo masculino no filme ainda tem “claspers”, apêndices sob o abdômen usado para manter uma fêmea durante o acasalamento.

“Quando eu olhei para ele, eu estava tipo: ‘eles fizeram um ótimo trabalho’. Eles não criaram apenas um tubarão aleatório “, diz Balk.

Porém, Balk ressalta que o filme não levou em consideração questões evolutivas importantes. “Como o olho ficando maior para ver melhor ou ficar cego depois de alguns milhões de anos vivendo na escuridão do mar profundo”, diz ela.

Figura de megalodonte é exposta no Museu de História Natural de São Francisco (Foto: Divulgação/MHNSF)

Figura de megalodonte é exposta no Museu de História Natural de São Francisco (Foto: Divulgação/MHNSF)

Alimentação em águas profundas

No filme, os “megatubarões” sobreviveram despercebidos em águas extremamente profundas, a 11 mil metros da superfície. O ponto mais fundo do oceano de que se tem conhecimento fica a 10.971metros da superfície.

Nesta profundeza seria difícil para os tubarões se alimentarem de animais grandes, como focas. Em regiões mais profundas do oceano, a cerca de 5 mil metros da superfície, existem espécies menores conhecidas por se agruparem em torno de fontes hidrotermais, incluindo camarões, caracóis e vermes tubulares.

Os megalodontes – como os tubarões brancos modernos – comiam muitas coisas diferentes, de orcas a lulas. E os gigantescos tubarões no filme “precisariam comer muita lula”, disse Balk.

Ainda não se sabe como algumas espécies de tubarão conseguem viver em águas mais profundas, mas os que conseguem não costumam ultrapassar os 4 mil metros abaixo da superfície. E os animais que vivem em águas assim, como o tubarão-duende, tendem a ter o metabolismo bem mais lento que tubarões predadores.

Extinção

Não se sabe ao certo porque os megalodontes foram extintos. Uma possibilidade foi a mudança de temperatura das águas. O megalodonte, embora vivesse ao redor do globo, tendia a preferir águas mais rasas e mais quentes e usava as regiões costeiras como lugares para reprodução.

Segundo informações do Museu de História Natural de São Francisco, a redução das temperaturas oceânicas no Plioceno pode ser uma razão para extinção do megalodonte. Outra possibilidade é que suas espécies favoritas de presas, como as baleias, começaram a migrar para águas mais frias, onde os gigantescos tubarões não poderiam viver.

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