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Haddad diz estar ‘aberto’ a incorporar propostas de Ciro Gomes em programa de governo

Por Bárbara Muniz Vieira e Filipe Matoso, G1 — São Paulo e Brasília

Da esquerda para a direita: Wellington Dias, governador do Piauí; Camilo Santana, governador do Ceará; Rui Costa, governador da Bahia; Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência; Flávio Dino, governador do Maranhão; e Gleisi Hoffmann, presidente do PT — Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1

Da esquerda para a direita: Wellington Dias, governador do Piauí; Camilo Santana, governador do Ceará; Rui Costa, governador da Bahia; Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência; Flávio Dino, governador do Maranhão; e Gleisi Hoffmann, presidente do PT — Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (9) estar “aberto” a incorporar propostas de Ciro Gomes (PDT) no programa de governo.

Haddad deu a declaração em São Paulo, após se reunir com os governadores Wellington Dias (PT-PI), Camilo Santana (PT-CE), Rui Costa (PT-BA) e Flávio Dino (PCdoB-MA).

No último domingo (7), primeiro turno da eleição, Haddad recebeu 29,28% dos votos e disputará o segundo turno com Jair Bolsonaro(PSL), que recebeu 46,03% dos votos.

“Eu conversei ontem com o Roberto Mangabeira Unger [interlocutor de Ciro] e disse a ele que estaria aberto a incorporar [no programa de governo] propostas que fossem compatíveis com os princípios [do PT]. E não há incompatibilidade entre os programas. As diretrizes são as mesmas: soberania nacional, soberania popular, direitos trabalhistas e direitos sociais. Enfim, os dois programas estão muito afinados”, declarou Haddad.

Disputando a Presidência da República pela terceira vez, Ciro Gomes ficou em terceiro lugar no primeiro turno deste ano, com 12,47% dos votos.

De acordo com o presidente do PDT, Carlos Lupi, o partido “jamais” apoiará Bolsonaro e estuda dar “apoio crítico” a Haddad.

‘Figura muito importante’

Ao falar sobre Ciro Gomes, Fernando Haddad, disse que o candidato do PDT “é um democrata e lutará contra o fascismo”, o que o torna uma voz “muito respeitada no país”.

“[Ciro Gomes] é uma figura muito importante e não é de hoje. O Ciro Gomes tem uma longa trajetória de serviços prestados, inclusive nos nossos governos. PT e PDT governam o Ceará com grande êxito, o governador [Camilo Santana] teve algo próximo a 80% dos votos válidos. Enfim, vamos repetir o êxito do Ceará no Brasil”, declarou o candidato do PT.

Para Fernando Haddad, a eventual “convergência” dele e de Ciro Gomes pode gerar um programa de governo “mais robusto”.

Aliados históricos

PT e PDT são aliados históricos. Nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, o partido comandou alguns ministérios, entre os quais o do Trabalho e o da Educação.

Na campanha deste ano, porém, Ciro Gomes criticou a decisão do PT de ter Haddad como candidato no lugar de Lula, afirmando que o Brasil “não aguenta outra Dilma”.

Sobre o apoio no segundo turno, contudo, o candidato do PDT já afirmou que “ele, não”, uma referência ao movimento #EleNão, contrário a Bolsonaro.

“Uma coisa eu posso adiantar logo, como vocês já viram: minha história de vida é uma história de vida de defesa da democracia e contra o fascismo”, declarou Ciro no último domingo.

Encontro em SP

Haddad se reuniu nesta terça-feira, em um hotel na Zona Sul de São Paulo, com governadores e apoiadores da campanha dele à Presidência.

Além dos governadores do Nordeste, também estiveram presentes ao encontro o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel; Jaques Wagner, ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia; e Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e um dos coordenadores da campanha de Haddad.

Após o encontro, Haddad apresentou algumas propostas à imprensa. Disse, por exemplo, que a Polícia Federal passará a atuar contra o crime organizado “nacionalmente”.

“Ou seja, a ideia é a de que nós avencemos no programa que foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a ideia de que a parte grande do crime hoje tem organizações nacionais. Debatemos isso e concluímos que isso é um fato. Organizações nacionais de organização criminosa, que atuam nacionalmente”, afirmou.

“E para isso a Polícia Federal tem de entrar. Nós vamos chamar a responsabilidade da Presidência, do próprio presidente da República, a ideia de atuar no combate às organizações criminosas que atuam nacionalmente. Os governadores estão de acordo em relação e isso e agora passa a ser uma proposta encampada por autoridades já reconduzidas, já reeleitas, e, portanto, ganha um ímpeto maior para serem implementadas na primeira hora do próximo governo. Isso é importante declara porque é uma pauta comum”, acrescentou.

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