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A ressaca indigesta dos derrotados em Sergipe

Aos atentos, uma importante lição: político que não se adequar à nova realidade, tem a derrota como futuro quase certo

O Brasil está mudando, assim como Sergipe. Isso ficou evidente nestas últimas eleições, com a renovação nas duas cadeiras ao Senado e 50% na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.

Passadas as eleições – nacional e estadual -, Sergipe assistiu a uma de suas maiores renovações em seus quadros políticos. E não parece ser uma onda passageira, uma circunstância. Tem cara de tendência, mesmo!

Vários prefeitos e vereadores estão antenados e já ligaram seus sinais de alerta. Perceberam que esse desejo por mudanças também chegará as eleições de 2020, e mais: caso o presidente eleito, Jair Bolsonaro, faça um bom governo, esse sopro de renovação será um avassalador tsunami, varrendo do mapa políticos velhos e seus acompanhantes.

Vamos a uma rápida análise do quadro em Sergipe, onde a oposição parece não ter aprendido “nadica de nada” com a derrota avassaladora que sofreu há pouco nas urnas. Aos fatos:

Primeiro: O racha na oposição é consenso de todos, foi o principal motivo da estridente derrota, mas analisando friamente, o principal motivo não foi o racha, mas sim o egoísmo, a arrogância, a prepotência e a soberba de muitos que se achavam os donos dos votos em Sergipe. Esqueceram apenas de combinar com o povo;

Segundo: A falta de consenso e o constante leilão partidário e de suposta força eleitoral praticados, como por exemplo pelo Pastor Heleno e seu grupo, e, apesar da pálida vitória, por Fábio Henrique – que mais uma vez virou as costas ao governo que sempre lhe estendeu a mão e se mandou para hostes dos aposentados Valadares – foram os principais fatores para essas derrotas. Venderam o que não tinham;

Terceiro: Os maiores derrotados em Sergipe foram a vaidade narcísica de André Moura e a vesguice, cumulada com gula política, do ainda senador Valadares. Dois condimentos que estragaram o prato da oposição. Os dois pouco se entenderam, e como diz um velho jargão, “morreram afogados”, abraçados a um pífio resultado eleitoral;

Quarto: A derrota parece não ter ensinado nada aos derrotadas, além de uma brutal ressaca com bocejos depressivos. Só isso! Não evoluem, não amadurecem, não aprendem as lições vindas das ruas. Ainda continuam errando, em escala estratosférica, numa teimosia impecável. Para não assumirem suas culpas, porque é cômodo responsabilizar “os outros” pelos erros cometidos, agora a culpa da derrota é dos assessores. Mas onde já se viu esse tipo de coisa? Que voto tem o assessor? Desde quando o assessor é candidato? Desde quando o assessor possuí mandato? Desde quando o assessor libera verbas para prefeituras? Se o assessor tivesse todo esse poder seria ele próprio o candidato, uai!

E por que esse ponto entrou na análise? Para fazer justiça a muitos injustiçados. Assim que acabou o pleito, muitos assessores foram demitidos.

Após anos de convívio, os derrotados sequer pensaram no drama desses assessores que têm família e precisariam de um tempo para se organizarem, já que em janeiro, por força da derrota eleitoral, estariam desempregados. Esses derrotados sequer consideraram o espírito natalino que se aproxima. Agiram com o imoral “farinha pouca meu pirão primeiro” e se desfizeram dos seus leais assessores, como se roletes de cana chupados fossem.

Gente, é um grande equívoco, além de desumano, de injusto e de indecente, os derrotados transferirem seus erros para seus assessores, que trabalharam como gigantes e foram reduzidos a nada. Que coisa feia! Isso confirma que o povo sergipano acertou ao os mandarem para casa.

Esta semana, um “Vavaminion” me confidenciou que já teve até reunião, quando solicitaram às pessoas presentes que procurassem novos ares, já que sem mandato, não teriam mais como mantê-las.

Alguns deputados estaduais e federais derrotados, sequer tiveram um pequeno gesto de consideração por aqueles que lhes cercaram durante anos e mandaram boa parte para o olho da rua, culpando-os pela derrota. Um exemplo bem sonoro e vergonhoso é o que fizeram com o jovem Elder Santos, que até pouco tempo era secretário de comunicação em Japaratuba, terra onde a esposa do candidato a senador derrotado, André Moura, PSC, é prefeita.

A pergunta continua: que culpa tem o jovem pela derrota do esposo de sua chefe? O jovem por acaso é liderança? O jovem por acaso é político? Na verdade, senhor André Moura, a culpa é de sua esposa, que não tem uma gestão bem avaliada pelo povo, tanto que você amargou um terceiro lugar na cidade e o ex-prefeito, Hélio Sobral, deu muito mais votos aos seus candidatos do que aos de sua esposa, a exemplo para estadual, onde sua esposa deu apenas 400 votos a Venâncio Fonseca, do PSC, e Hélio Sobral deu a Adailton Martins quase 2 mil votos. Um sinal de que também irão perder a prefeitura.

É sempre difícil fazer prospecções no campo político e artigos como este que publico servem para uma análise serena e paciente dos instantes da disputa e do após. Os resultados deste pleito devem servir de reflexão para que a ressaca da derrota não siga fazendo novas vítimas, inclusive os próprios derrotados de agora.

 

Por Kacalo Celentano

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