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‘Não teve rusga nem carrinho’, diz Heleno sobre desencontro entre Bolsonaro e equipe econômica

Por Guilherme Mazui, Luiz Felipe Barbiéri e Alexandro Martello, G1 — Brasília

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, negou nesta segunda-feira (7) que haja alguma “rusga” na relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Na última sexta-feira (4) houve desencontro de informações entre o presidente e a equipe econômica a respeito de impostos.

Bolsonaro anunciou o aumento da alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e a possibilidade de reduzir o teto da alíquota do Imposto de Renda (IR). O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, desmentiu o presidente mais tarde.

Segundo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o presidente se “equivocou” a respeito do IOF, enquanto o IR será discutido no futuro pelo governo.

Heleno comentou o desencontro nesta segunda, após a posse dos novos presidentes do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil (BB).

Segundo o ministro, Bolsonaro e Guedes conversaram antes da cerimônia e são “best friends”.

“Não teve rusga nenhuma, nem rusga, nem carrinho por trás, nem tesoura voada, não teve nada. Hoje de manhã se encontraram aí, best friends, não tem essa história”, disse Heleno.

O chefe do GSI creditou o erro de informação de Bolsonaro a quantidade de informações que o presidente recebe, o que “não é novidade” em início de governo.

“Acredito que aquilo foi fruto de uma primeira semana, o peso em cima das costas do presidente é muito grande, ele acaba ouvindo muita coisa sem ter tempo nem de conferir se o que ele ouviu está valendo ainda”, afirmou o ministro.

Embraer-Boeing

Heleno também comentou as críticas de Bolsonaro aos termos do acordo entre Boeing e Embraer para criar uma nova empresa de aviação. De acordo com o ministro, foi discutida no governo a necessidade de avaliar um dos pontos da proposta.

Pelos termos do acordo, que precisam da aprovação do governo brasileiro, a Boeing deterá 80% do novo negócio e a Embraer, os 20% restantes. Um dispositivo do acordo permite que a empresa americana compre os 20% das Embraer no futuro, ponto criticado por Bolsonaro na semana passada.

“Nós não podemos, como está na última proposta, daqui cinco anos tudo ser passado para outro lado”, disse o presidente na ocaisão.

Questionado se o governo aceita a possibilidade da Boeing comprar no futuro o restante da nova empresa, Heleno disse que o assunto será estudado, pois a negociação envolve patrimônio “tecnológico” desenvolvido pelo Brasil.

“Hoje [segunda] mesmo foi colocada a necessidade de estudar se essa fórmula é a fórmula ideal ou se nós podemos pleitear um outro tipo de solução”, declarou Heleno.

“Isso pode perfeitamente ser equacionado. […] Não está se pensando em interromper essa negociação”, acrescentou.

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