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No Texas, Bolsonaro adapta bordão: ‘Brasil e Estados Unidos acima de tudo’

Ao receber prêmio nos EUA, presidente diz que Macri enfrenta dificuldades e afirma temer que crise de Caracas se repita

Henrique Gomes Batista, enviado especial e Paola De Orte, especial para o Valor

Ao receber a homenagem da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, que concedeu a Jair Bolsonaro o título de personalidade do ano, emDallas , no Texas, o presidente brasileiro mostrou novamente preocupação com a situação política na Argentina e na Venezuela. Durante 11 minutos, Bolsonaro lembrou que o chefe de Estado argentino, Mauricio  Macri, enfrenta problemas e disse temer a eleição de Cristina Kirchner e uma “nova Venezuela” na região. O presidente também elogiou a atual política em relação aos Estados Unidos, antes “tratados como se fossem inimigos”, e acabou errando seu bordão ao finalizar o discurso: “Brasil e Estados Unidos acima de tudo, Brasil acima de todos”.

—  Pobre povo veneuelano. Está fugindo da violência, da fome e da miséria. Mas não se esqueçam da nossa Argentina, que está indo para um caminho bastante complicado. Não podemos ter outra venezuela no Cone Sul. Com problemas estruturais em seu país, o meu amigo (Mauricio) Macri enfrenta dificuldades, e vê a possibilidade de uma presidente voltar ao poder  — afirmou, em referência a Cristina Kircher.  — Essa amiga do PT do Brasil, de (Hugo) Chávez, de (Nicolás) Maduro, entre outros, como Fidel castro, que tinham mais que o sonho de roubar nosso país, (o sonho de) roubar a liberdade de todos nós.

O presidente ainda afirmou que viajará em breve à Argentina e disse que buscará “colaborar com o país”, assegurando no entanto que não irá se intrometer em assuntos locais.

Jair Bolsonaro discursa durante cerimônia de entrega do Prêmio Personalidade do Ano pela Câmara de Comércio Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República
Jair Bolsonaro discursa durante cerimônia de entrega do Prêmio Personalidade do Ano pela Câmara de Comércio Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República

Bolsonaro também elogiou a parceria com o governo de Donald Trump e lamentou não ter ido a Nova York. O presidente cancelou a visita a cidade e transferiu a agenda para Dallas, no Texas, após protestos e críticas do prefeito Bill de Blasio . Foi substituído no evento de Nova York pelo governador de São Paulo, João Doria, que  mandou um recado para De Blasio no discurso  e pediu que o americano fosse gentil com o presidente do Brasil.

— No Brasil, a política até de há pouco, era de antagonismo a países como os EUA. Os senhores eram tratados como se fossem inimigos nossos. O Brasil de hoje é amigo dos Estados Unidos, o Brasil de hoje respeita os Estados Unidos e o Brasil de hoje quer o povo americano e os empresários americanos ao nosso lado — disse o presidente ao receber o prêmio. — Precisamos, queremos e estamos, mais que propensos, convictos da união, dessa confiança que começamos a estabelecer nos últimos meses. Fazemos comércio, assinamos muitos acordos, como o da Base de lançamento de Alcântara.

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