A verdade contada como ela é.

E o lixo de Aracaju continua debaixo do tapete


Setores da imprensa estão acompanhando de perto os desdobramentos de uma disputa judicial envolvendo a licitação da coleta de lixo de Aracaju. Aliás, um serviço que é feito há três décadas pela mesma empresa: a Torre. No Tribunal de Justiça, já se vão quase 2 anos sem que, até agora, haja uma decisão final para esse imbróglio, que só acaba prejudicando a população da capital, que está pagando mais caro pela coleta, uma vez que a Torre ficou em segundo lugar, mas vem prestando o serviço porque a 1ª colocada, Tecnal Ambiental apresentou a menor proposta, ganhou a licitação, mas não levou o contrato.

A Tecnal recorreu da desclassificação e teve seu recurso acatado por unanimidade pelos desembargadores da 2ª Câmara Cível do TJ. A sessão ocorreu no dia 09 de julho de 2019, quando o Tribunal entendeu pela ilegalidade do contrato. O que se esperava, após essa decisão, é que em até 48 horas, como é praxe, ela fosse publicada e cumprida pela Prefeitura de Aracaju, através da Emsurb.

Mas não foi isso que aconteceu. De forma estranha, dez dias após o julgamento dos desembargadores, o próprio TJ publicou despacho para reabrir o mesmo julgamento: “Conforme deliberação colegiada no dia 16/07, chamo o feito à ordem para tornar sem efeito o resultado do julgamento dos presentes Embargos anunciado em sessão no dia 09/07, ao passo em que determino o retorno do feito com vista dos autos ao gabinete do Des. Luiz Antônio Araújo Mendonça, a quem competirá pedir pauta para novo julgamento.”

Ou seja, de forma inédita, o Judiciário retomou o andamento do processo com a possibilidade de haver alterações no resultado do julgamento. Coincidentemente ou não, quem saiu beneficiado com essa medida, mais uma vez, foi a empresa Torre, a mesma que está há quase 30 anos realizando a coleta de lixo em Aracaju, sendo que nos 2 últimos anos com base numa licitação questionável mesmo com reiteradas decisões do Poder Judiciário reconhecendo a ilegalidade.

Já o prefeito Edvaldo Nogueira permanece em silêncio. Como justificar que por um simples endereço não atualizado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA/RN), cidade sede da Tecnal, a sua gestão contrata a mesma empresa de sempre, pagando bem mais caro por isso? Talvez porque esse prejuízo não saia do seu bolso, mas dos cofres da população de Aracaju. Pelo visto, há muito lixo debaixo do tapete.