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União Europeia convida ministro das Relações Exteriores do Irã a ir a Bruxelas


Entre os objetivos estão evitar a escalada da crise com os Estados Unidos, intensificada desde a morte do general iraniano Qassem Soleimani, e preservar o acordo nuclear firmado em 2015. Irã diz que não vai cumprir tratado e que sua produção de urânio não terá mais limites.

Por G1

A União Europeia convidou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammed Javad Zarif, a ir a Bruxelas, para discutir como evitar uma escalada dos conflitos do Irã com os Estados Unidos e para discutir a preservação do acordo nuclear firmado com o país em 2015.

O convite foi feito pelo representante sênior do bloco para assuntos exteriores, Josep Borrell, informou a União Europeia em comunicado emitido neste domingo (5).

No entanto, o Irã anunciou também neste domingo que não respeitará mais o acordo nuclear. O país disse em comunicado que não limitará sua produção, nem manterá o nível de enriquecimento de urânio abaixo de 3,6% (teto fixado no tratado).

O governo de Teerã afirmou ainda que pode retornar ao acordo se as sanções impostas pelos Estados Unidos contra o país forem removidas e os interesses do país, garantidos.

Tensão crescente

A tensão entre EUA e Irã se agravou desde a morte do general iraniano Qassem Soleimani, na quinta (2), em um bombardeio aéreo americano em Bagdá, no Iraque. Na sexta-feira (3), o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e o presidente do país, Hassan Rouhani, prometeram vingança pela morte de Soleimani, e o presidente americano, Donald Trump, respondeu também com ameaças.

Neste domingo (5), o exército iraniano disse duvidar que Trump tivesse coragem de cumprir as ameaças. O ex-ministro da Defesa iraniano e hoje conselheiro militar do líder supremo do país, Hossein Dehghan, afirmou que “a resposta [ao ataque que matou Soleimani] será com certeza militar e contra alvos militares”.

No sábado (4), foguetes atingiram uma base militar e uma área próxima a embaixadas em Bagdá, mas não houve mortos ou feridos e ninguém assumiu a responsabilidade pelo ataque. Líderes europeus manifestaram preocupação com a escalada de ataques no Oriente Médio por causa da morte de Soleimani.

O Papa Francisco pediu comedimento para resolver a situação. “Peço a todos os lados que mantenham a chama do diálogo e do comedimento e afastem a sombra da hostilidade”, disse Francisco, em missa deste domingo (5) no Vaticano. “A guerra só traz morte e destruição.”

Além de Soleimani, também morreu no ataque americano Abu Mahdi al-Muhandis, chefe das Forças de Mobilização Popular do Iraque, grupo de milícias apoiadas pelo Irã. Dezenas de milhares de pessoas acompanharam o velório de al-Muhandis e Soleimani em Bagdá, no sábado (4).

Acordo nuclear

Em 2015, Irã firmou um acordo internacional com várias potências mundiais, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, no qual se comprometia a não desenvolver armas atômicas com seu programa nuclear. Em troca desse comprometimento, os outros países prometeram suspender algumas das sanções econômicas contra o país.

O Irã poderia, ainda, continuar usando o potencial nuclear para fins comerciais, médicos e industriais.

Em 2018, entretanto, o presidente americano, Donald Trump, retirou os EUA desse acordo, e desde então vem intensificando as sanções contra o Irã. Em maio do ano passado, a União Europeia e outros líderes europeus também tiveram divergências com os iranianos sobre os termos do pacto.

Desde julho de 2019, o Irã vem quebrando vários termos do acordo, incluindo o enriquecimento de urânio acima do nível permitido e o acionamento de centrífugas que antes estavam paradas. Em setembro, o país persa acusou o bloco europeu de “quebrar promessas” em relação ao pacto.