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Nova Rede Cabaú

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Se já fazia campanha aberta para o Governo do Estado desde que se elegeu senador, em 2010, Eduardo Amorim (PSC), a partir do lançamento da sua candidatura pelo diretório nacional do partido, escancarou. Ele, seus aliados e suas emissoras de rádio fazem campanha explicita 24 horas por dia sem qualquer preocupação com a legislação eleitoral. É como se estivessem acima da lei, coisa que não se via há muito tempo na política sergipana.

 

A oito meses das convenções partidárias que definem candidaturas que abrem a campanha, o senador resolveu antecipar o processo para agora, inclusive com reforço político nas emissoras de rádio da família. Se a campanha era feita apenas durante o programa de Gilmar Carvalho, das 6 às 9 horas da manhã, agora há vários espaços à disposição para entrevistas com aliados e o próprio senador. A partir da rádio Ilha de Aracaju, criou programas supostamente jornalísticos das 4 às 6 horas da madrugada, das 12 às 14 horas e das 17 às 19 horas, sempre repetidos por emissoras do interior e até rádios comunitárias que deveriam tratar de temas de interesse da comunidade.

 

Na semana passada, em entrevista a Rita Oliveira, o vice-prefeito de Aracaju, José Carlos machado (PSDB), potencial aliado dos Amorim caso o prefeito João Alves Filho (DEM) não venha a ser candidato a governador, não escondeu a chateação com a antecipação da campanha eleitoral no Estado. ?Falam que o PTB e/ou o PTdoB voltaram param os Amorim, mas na verdade nada mudou na política sergipana. É só para atiçar a campanha?, reclama Machado. O seu partido, por exemplo, perdeu a filiação do advogado Antonio Monteiro Neto, filho de Adierson Monteiro, que explora o transporte coletivo de Aracaju há 30 anos, para uma das legendas de aluguel do senador Eduardo.

 

Na próxima sexta-feira, 27, uma semana antes do encerramento do prazo das filiações partidárias para quem pretende disputar as eleições de 2014, o senador e o seu irmão Edvan, que herdou as emissoras de rádio do ex-sogro João Alves Filho, pretendem realizar uma grande festa suprapartidária para mostrar o poderio financeiro que planejam para as eleições de 2014. Planejam apresentar filiações dos donos do dinheiro de Sergipe, a exemplo do ex-governador Albano Franco e do seu filho Ricardo, e empresários de destaque no comércio sergipano.

 

É uma pantomima que serve para passar a impressão ao eleitorado de que tudo já está pronto para que o senador Eduardo chegue ao governo do Estado, antes da realização do teste das urnas. Os Amorim acham que a mensagem de que já são os “donos de Sergipe” é suficiente para que a população, da mesma forma os tradicionais negociantes da política, embarque em seu barco, sujeito à deriva como qualquer outro, principalmente quando conduzidos a base de mentiras e interesses escusos.

 

O senador Eduardo e o seu irmão patrocinam uma campanha de desrespeito às leis, às autoridades e aos poderes constituídos. É uma afronta nunca vista na política sergipana, nem mesmo na época da ditadura quando a chamada “Rede Cabaú de Notícias”, capitaneada pela TV Sergipe, pensava que era dona das leis e do povo sergipano.

 

Artigo de Gilvan Manoel, jornalista e editor do Jornal do Dia de Sergipe.

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