Maior e mais antigo monumento maia é descoberto no sul do México


Chamada de Aguada Fénix, a construção tem quase 1,4 quilômetro de comprimento, chega a medir 15 metros de altura e foi construída entre 1.000 e 800 anos a.C.

Maior e mais antigo monumento maia é descoberto no sul do México. Acima: simulação 3D do monumento (Foto: Takeshi Inomata/Nature)

Arqueólogos liderados pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, encontraram o que pode ser a maior e mais antiga estrutura maia já observada. O monumento foi batizado de Aguada Fénix e fica em Tabasco, no sul do México, perto da fronteira noroeste com a Guatemala. A descoberta foi relatada em um estudo publicado nesta quarta-feira (03) na Nature.

Até agora, o sítio maia de Ceibal, construído em 950 a.C., era o mais antigo centro cerimonial já observado. Aguada Fénix, entretanto, é muito maior e mais antigo: de acordo com os cientistas, o monumento tem quase 1,4 quilômetro de comprimento, altura que varia de 9 a 15 metros e foi construído em algum momento entre 1.000 e 800 a.C.

A descoberta foi feita graças à tecnologia conhecida como LiDAR (Light Detection and Ranging). O sistema usa lasers que, emitidos a partir de um avião, são capazes de “penetrar” no dossel de árvores da região analisada e revelar as formas tridimensionais abaixo da flora sem danificá-la. “Esta área é desenvolvida, não é a selva: há pessoas que moram por lá”, contou Takeshi Inomata, líder da pesquisa e professor da Escola de Antropologia da Universidade do Arizona, em comunicado. “Entretanto, esse local não era conhecido pois, por ser muito plano e grande, parece uma paisagem natural.”

Visão aérea do sítio arqueológico (Foto: Takeshi Inomata/Nature)
Visão aérea do sítio arqueológico (Foto: Takeshi Inomata/Nature)

Segundo os especialistas, a descoberta implica no conhecimento que temos hoje sobre as populações que viviam na América Central àquela época. Isso porque os arqueólogos tradicionalmente pensavam que a civilização maia se desenvolveu lentamente: acreditava-se que pequenas aldeias começaram a aparecer entre 1000 e 350 a.C., ou seja, grandes estruturas como Aguada Fénix não deveriam existir.

Além disso, o novo monumento se parece com um antigo centro da civilização olmeca, que viveu no mesmo período na região de San Lorenzo, a oeste de Tabasco. Entretanto, Aguada Fénix não tem esculturas de pedra relacionadas aos governantes ou à elite, o que sugere menos desigualdade social e destaca a importância do trabalho comunitário na aurora dos maias.

“Sempre houve debate sobre se a civilização olmeca levou ao desenvolvimento da civilização maia ou se os maias se desenvolveram de forma independente”, disse Inomata. “Então, nosso estudo se concentra em uma área chave entre os dois [povos].”

Camadas arqueológicas encontradas durante as escavações (Foto: Nature)
Camadas arqueológicas encontradas durante as escavações (Foto: Nature)

Como explicam os historiadores, o período em que Aguada Fénix surgiu marcou uma lacuna no poder: foi construído após o declínio de San Lorenzo e antes da ascensão de outro centro olmeca, La Venta. Já o fato dos edifícios monumentais terem surgido mais cedo do que se pensava indica o poder de organização que estas sociedades tinham.

“Não é apenas a organização social hierárquica com a elite que torna possíveis monumentos como esse”, ponderou Inomata. “Esse tipo de entendimento nos dá implicações importantes sobre a capacidade humana e o potencial de grupos humanos. Talvez você não precise necessariamente de um governo bem organizado para realizar esses tipos de grandes projetos. As pessoas podem trabalhar juntas para obter resultados surpreendentes.”

Objetos encontrados durante as escavações na área (Foto: Nature)
Objetos encontrados durante as escavações na área (Foto: Nature)

Via Revista Galileu