“Vamos ter que recomeçar praticamente do zero”, diz secretário de Turismo


Trabalho vai exigir união de todos, visão estratégica, foco e muita determinação

Por Joedson Telles

O secretário de Estado do Turismo, o jornalista Sales Neto, lamenta, nesta entrevista que concede ao Universo, que o destino Sergipe, que antes da pandemia vinha numa crescente, tenha retroagido. “Vamos ter que recomeçar praticamente do zero. Teremos ainda muito trabalho pela frente que vai exigir união de todos os atores e visão estratégica, foco e muita determinação. Precisamos aprofundar o diálogo e dar as mãos, não tem outra saída”, diz o secretário de Turismo. Como uma das ações positivas, Sales explica que o governo, por meio da Setur, vem buscando posicionar o destino turístico de forma estratégica junto às operadoras e agentes de viagens em estados emissores de turistas importantes. “Estamos entabulando com o Sebrae uma parceria para realizar, assim que for possível, uma caravana regional envolvendo nosso trade turístico.” A entrevista:

O que o Fórum de Turismo vem discutindo para a retomada do setor? Quais os pontos mais relevantes?

Desde que iniciou esse processo de fechamento das atividades turísticas em todo país, com reflexos negativos em toda cadeia, nós tivemos a preocupação de buscar trabalhar um planejamento efetivo que fosse capaz de posicionar o destino Sergipe de maneira estratégica para quando for possível haver a retomada, que apesar de não termos uma data agora, mas um dia vai acontecer. De lá pra cá, não paramos de trabalhar – um trabalho que vai desde reuniões virtuais com diversos setores que fazem acontecer o turismo em nosso estado, para planejar a retomada, passando pela preocupação em aderir a protocolos de biossegurança e uma estratégica específica junto aos operadores e agentes de viagens em mercados emissores importantes, para que no momento em que for possível haver uma retomada, nós estejamos bem posicionados. Fizemos diversos contatos com operadores de turismo a exemplo da CVC, Agaxtur, Visual, New IT, Orienter, que geraram uma série de reuniões e treinamentos para centenas de agentes de viagens que receberam capacitação para vender bem nosso destino. Precisamos estar nas prateleiras de quem vende, e isso é isso que nós estamos fazendo. Gostaria de ressaltar que para isso, contamos com parcerias importantes, a exemplo da ABIH, ABAV, UFS, Sebrae, Sefaz dos gestores públicos do estado, prefeitura de Aracaju, empresários do setor turístico, enfim, são todos eles parceiros imprescindíveis nesse processo, que não vai ser rápido, porque a recuperação do setor será difícil devido ao grau de estrago que a pandemia fez no turismo. Temos um desafio gigantesco pela frente e muito trabalho também. Mas o principal, é que o Turismo tem no governador Belivaldo Chagas um entusiasta que entende o papel desse importante setor para a economia do estado, na geração de empregos e de impostos.

Já é possível mensurar o tamanho do prejuízo que a pandemia trouxe para o turismo de Sergipe?

Nós não temos um estudo específico para o setor do Turismo em Sergipe, mas sabemos que o prejuízo é muito grande. Nossa ideia é montar um setor específico para gerenciar as estatísticas do setor turístico, nos ajudando a ter informações específicas de qualidade que vai, inclusive, auxiliar nas tomadas das decisões estratégicas da gestão.

O que o governo vem fazendo para mitigar os efeitos da pandemia sobre o setor?

O governo, por meio da Setur, vem buscando posicionar o destino turístico de forma estratégica junto às operadoras e agentes de viagens em estados emissores de turistas importantes como São Paulo (capital e interior), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul. Estamos entabulando com o Sebrae uma parceria para realizar, assim que for possível, uma caravana regional envolvendo nosso trade turístico. A ideia é percorrer as principais cidades próximas de Sergipe num raio de 500, 600 quilômetros para promover nosso destino, estimulando que nossos vizinhos da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Segundo todos os principais especialistas em suas análises, o primeiro tipo de turismo que vai reagir é o regional, a visita de vizinhos, e estamos nos preparando pra isso também. Uma questão muito importante também, é que vamos retomar a mídia compartilhada com a CVC. A CVC é a maior operadora de Turismo da América Latina, com mais de 1 mil pontos de venda no país, uma máquina de vendas. Em 2019 a CVC mandou mais de 100 mil turistas para Sergipe e precisamos que eles coloquem nosso destino no seu foco estratégico quando houver a retomada.

O governador Belivaldo Chagas anunciou a reabertura gradual do comércio. Pelo diálogo que ele vem tendo com o senhor é possível estimar quando o setor de turismo voltará ao normal?

A hotelaria foi um dos primeiros setores contemplados com a abertura das atividades, assim que o Governo do Estado entendeu que seria possível abrir. Obviamente que não há grande movimento, pois as pessoas não estão viajando, a não ser em caso de extrema necessidade, como questões de trabalho. Agora, na estratégia de retomada da economia, o governo colocou na fase laranja, que é a primeira para abertura, a abertura das agencias de viagens e operadoras. As demais áreas, ainda não dá pra ter uma previsão. Só o tempo vai mostrar como vai ser, a depender da propagação da pandemia.

Como estávamos antes da pandemia? Quais os pontos fortes de Sergipe e as quais as queixas do setor?

O destino Sergipe antes da pandemia vinha numa crescente. O governador Belivaldo Chagas dando todo apoio ao setor turístico. Ele foi pessoalmente a São Paulo na Gol e na Azul para tratar de novos voos para nosso estado e isso estava acontecendo, crescendo a oferta de voos e o número de turistas que chegavam em Sergipe. Os números de passageiros no aeroporto demonstravam claramente o crescimento. Aí veio a pandemia e colocou tudo na estaca zero. Vamos ter que recomeçar praticamente do zero. Teremos ainda muito trabalho pela frente que vai exigir união de todos os atores e visão estratégica, foco e muita determinação. Precisamos aprofundar o diálogo e dar as mãos, não tem outra saída.

Como tem sido a relação Governo do Estado x Prefeitura de Aracaju?

A melhor possível. O governador Belivaldo Chagas e o prefeito Edvaldo Nogueira são aliados e parceiros administrativos e isso reflete nas equipes. Tenho uma excelente relação com o secretário Marlysson Magalhães. Em todas nossas estratégias para a capital, estamos trabalhando juntos.

O Governo Federal tem sido um parceiro importante ou deixa a desejar?

O Governo Federal é um grande indutor do Turismo e precisamos estar alinhados naquilo que for bom para nosso estado. Recentemente, o Ministério do Turismo lançou o selo Turismo Responsável, Limpo e Seguro, que vai ser muito importante nesta retomada, pois estabelece uma série de protocolos de biossegurança para que os turistas tenham confiança em visitar, se hospedar e fazer os passeios com a garantia de que terão a sua saúde, e de sua família, preservadas.

E a iniciativa privada?

O setor privado em quase todos os segmentos foi duramente atingido pela pandemia. O Covid-19 não estava no radar de ninguém há poucos meses e chegou com uma fúria avassaladora. Para o setor turístico está sendo muito duro. Desde quando assumi a Secretaria de Turismo recebi a tarefa do governador Belivaldo Chagas de construir uma boa relação com o setor produtivo e procurei estreitar o diálogo com os setores privados do segmento turístico. Entendo que isso é fundamental para o crescimento do setor, cada um cumprindo o seu papel, mas convergindo para um único alvo que é o desenvolvimento. Temos feito boas parcerias. Nos treinamentos virtuais que estamos fazendo com centenas de agentes de viagens, a ABIH é quem está disponibilizando a guia turística que faz a explanação. Vamos fazer juntos o convênio de mídia compartilhada com a CVC. A ideia de compartilhar a responsabilidade pelo desenvolvimento turístico de nosso estado, é a única capaz de colocar o destino Sergipe no lugar de destaque que ele merece no cenário turístico de nosso país. Não tem outro caminho.