Bolsonaro: ‘Caso exercesse pressão, seria acusado de interferência’


Presidente disse que nenhum dos laboratórios que realizam testes clínicos com vacinas até agora apresentou pedido de registro

Um dia após declarar que não se sente pressionado pelo início da vacinação contra a covid-19 em dezenas de países, o presidente Jair Bolsonaro usou uma rede social neste domingo (27) para falar sobre o que intitulou de “a pressa pela vacina”. Oficialmente, o Brasil ainda não tem uma data para iniciar a imunização da população.

No Facebook, Bolsonaro voltou a dizer que nenhum dos quatro laboratórios que realizam testes clínicos com vacinas no País até agora apresentou pedido de registro ou uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O presidente afirmou que não tem poder para influenciar ações da agência reguladora.

“A Anvisa é uma agência de Estado, não de governo. Sua atuação é independente e reconhecida no mundo todo, pela excelência do trabalho dos seus servidores. O presidente da República, caso exercesse pressões pela vacina, seria acusado de interferência e irresponsabilidade”, disse.

Mais uma vez, Bolsonaro levantou suspeita sobre os possíveis efeitos colaterais das vacinas. Ontem, ele já havia criticado a postura dos laboratórios em não se responsabilizarem por eventuais reações adversas após a aplicação dos imunizantes.

“Temos pressa em obter uma vacina, segura, eficaz e com qualidade, fabricada por laboratórios devidamente certificados. Mas a questão da responsabilidade por reações adversas de suas vacinas é um tema de grande impacto, e que precisa ser muito bem esclarecido”, disse o presidente neste domingo.

Bolsonaro sempre se mostrou arredio ao uso da vacina Coronavac, por exemplo, que tem origem na China, no laboratório Sinovac, e está sendo negociada pelo governo do Estado de São Paulo para ser produzida no Instituto Butantan. Há um claro jogo de forças entre o presidente e o governador João Doria (PSDB) em torno do imunizante.

A primeira vez que o governo federal considerou o uso da vacina que será produzida com o país asiático foi no dia 16, quando o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, estimou que a imunização contra a covid-19 no Brasil começaria em “meados de fevereiro”. Já o governo de São Paulo mantém a estimativa de iniciar a imunização, por grupos prioritários, em 25 de janeiro.